Anatel investiga Starlink por descumprimento de ordem judicial

G1
Agência fiscaliza empresa de Elon Musk após negativa em cumprir decisão do STF
A luta por uma internet responsável e democrática se intensifica à medida que a Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações, assume uma postura firme em relação às desobediências de empresas que operam no Brasil. Neste contexto, a Starlink, fornecedora de internet via satélite de Elon Musk, se vê no centro da tempestade ao questionar ordens judiciais.
O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, anunciou nesta segunda-feira (2) que a agência está avaliando se a Starlink está realmente descumprindo a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a derrubada do acesso ao X, a rede social anteriormente conhecida como Twitter. Essa medida se alinha com a busca por responsabilização e cumprimento das normas no ambiente digital.
Em um comunicado recente, a Starlink declarou que não irá cumprir a ordem judicial até que suas contas, que também foram bloqueadas por decisão de Moraes, sejam desbloqueadas pela Justiça. A empresa, que possui cerca de 225 mil usuários no Brasil, é considerada apenas a 16ª operadora no país.
A situação é ainda mais delicada, pois tanto o X quanto a Starlink fazem parte do conglomerado empresarial de Musk, que enfrentou críticas por não cumprir determinações legais e facilitar a disseminação de desinformação ao manter perfis que atacam instituições democráticas. Desde abril, a empresa tem sido acusada de desrespeitar decisões do Judiciário, e não pagou as multas impostas pelo STF.
Para garantir a aplicação das leis, Baigorri informou que técnicos da Anatel estarão monitorando as operações da Starlink. O acesso à rede da empresa será testado nas principais localidades onde atua. Se encontrarem acesso ao X, isso poderá ser a prova de que a ordem judicial não foi seguida.
A Anatel dará à Starlink a chance de defesa em um procedimento administrativo caso se confirme o descumprimento. Com 20 mil operadoras notificadas, a maioria já bloqueou o acesso ao X, adotando posturas asseguradoras de respeito às determinações judiciais.
A suspensão do X foi em resposta à falta de um representante legal da empresa no Brasil e à pressão para que cumpra compromissos legais e financeiros. Desde o fechamento de seu escritório no país, o X se vê envolto em polêmica e notas de protesto por parte de Musk, que rotulou as ações como “inconstitucionais” e afirmou que esta atitude prejudica acionistas e a população brasileira.
Os especialistas, como Clóvis Bertolini, ressaltam a necessidade de esclarecer e padronizar os procedimentos do Judiciário a respeito de intimações. Essa situação evidencia o delicado equilíbrio entre a regulação da internet e a proteção dos direitos dos cidadãos à informação em um ambiente digital cada vez mais complexo.
As ações da Anatel contra a Starlink refletem uma tentativa de assegurar a responsabilidade legal no ambiente digital, essencial para a salvaguarda das instituições democráticas e da qualidade da informação. É crucial que as empresas ajam dentro dos limites da legislação, promovendo uma sociedade mais justa e equitativa.



